80% dos recifes do planeta sofreram branqueamento, aponta estudo inédito

19 de fevereiro de 2026

Um novo estudo internacional publicado na revista científica Nature Communications indica que o terceiro grande evento global de branqueamento de corais, ocorrido entre 2014 e 2017, atingiu cerca de 80% dos recifes do planeta em nível moderado ou severo. A pesquisa também estimou mortalidade moderada ou elevada em aproximadamente 35% das áreas monitoradas.


Considerada a análise mais abrangente já realizada sobre esse episódio, o levantamento reuniu dados de mais de 15 mil observações de campo em diferentes oceanos. Para ampliar a cobertura das estimativas, os pesquisadores combinaram essas informações com dados de satélite sobre a temperatura da superfície do mar e o estresse térmico acumulado, o que permitiu avaliar impactos inclusive em áreas sem monitoramento direto.


Os resultados apontam que mais da metade dos recifes do mundo sofreu branqueamento significativo nesse período. Além da escala, o estudo destaca a duração inédita do fenômeno: três anos consecutivos, algo nunca antes registrado em eventos globais desse tipo. 


Por que o branqueamento acontece?


O branqueamento ocorre quando o aumento da temperatura do mar rompe a relação entre os corais e as microalgas que vivem em seus tecidos e fornecem energia para sua sobrevivência. Sem essas algas, os corais perdem a cor, têm sua capacidade de crescimento e reprodução reduzida e, em situações de estresse térmico prolongado, podem morrer.


Basta um aumento de cerca de 1°C na temperatura da água por algumas semanas para desencadear esse processo, o que explica a sensibilidade dos recifes às mudanças climáticas.



Efeito acumulativo e maior vulnerabilidade


O estudo também reforça que o aquecimento dos oceanos tem tornado as ondas de calor marinhas mais frequentes e intensas, diminuindo o intervalo de recuperação dos recifes entre eventos de branqueamento.


Entre 2010, 2014–2017, 2020 e 2024, os recifes enfrentaram episódios sucessivos que enfraqueceram progressivamente os corais, especialmente os mais frágeis. Em diversas regiões, áreas já impactadas voltaram a sofrer danos poucos anos depois, levando a novas perdas e alterações na composição das espécies.


Em alguns casos, mesmo quando há recuperação aparente da cobertura de corais, essa métrica pode esconder uma redução na diversidade biológica e nas funções ecológicas do ecossistema.


Situação no Brasil


No Brasil, os impactos do evento de 2014–2017 foram considerados relativamente menores em comparação com outras regiões, possivelmente devido à maior turbidez da água em alguns recifes, que reduz a incidência direta de radiação solar.


Ainda assim, pesquisas indicam que esses recifes sofreram perdas relevantes em eventos posteriores e que sua vulnerabilidade tem aumentado ao longo do tempo.


O que isso tem a ver com reciclagem e economia circular?


A crise dos recifes de coral está diretamente ligada ao aquecimento global e à pressão humana sobre os ecossistemas. Nesse contexto, a forma como produzimos e gerenciamos materiais tem papel central.


A reciclagem reduz a necessidade de extração de recursos naturais, diminui emissões de gases de efeito estufa e alivia a pressão sobre ambientes frágeis, incluindo os oceanos. Quando os materiais retornam ao ciclo produtivo, evitamos novas etapas de mineração, processamento e transporte, processos que contribuem para o aumento das temperaturas globais.


A economia circular, por sua vez, propõe um modelo em que produtos e materiais permanecem em uso por mais tempo, gerando menos descarte e menos impacto ambiental. Esse princípio é fundamental para proteger ecossistemas como os recifes, que sofrem indiretamente com as consequências das mudanças climáticas.


Dá para salvar os recifes?


Não há uma solução única. Pesquisadores trabalham com um conjunto de estratégias para aumentar a resistência dos corais e ganhar tempo diante do avanço do aquecimento global:


  • Corais mais resistentes ao calor: seleção e cultivo em laboratório de fragmentos com maior tolerância térmica para posterior replantio;
  • Microbioma dos corais: testes com bactérias benéficas e antioxidantes naturais, como a curcumina, para reduzir os efeitos do estresse térmico;
  • Engenharia e restauração ativa: uso de estruturas para criar sombra, transferência de corais para águas mais profundas e projetos de “jardins de coral”.


Iniciativas no Brasil: projetos como a Biofábrica de Corais integram ciência, turismo e comunidades locais. Apesar dos avanços, cientistas alertam que essas medidas têm limites. O ritmo das mudanças climáticas ainda supera a capacidade de adaptação natural dos recifes.

Por Túlio Dantas • 24 de setembro de 2026
A economia circular está ganhando cada vez mais espaço na agenda legislativa brasileira. O Senado aprovou um projeto que cria a Semana Nacional de Economia Circular, uma data que, se confirmada em lei, vai reunir anualmente ações educativas e institucionais em torno do tema em todo o país. O que prevê o projeto O Projeto de Lei 1.681/2026 institui a Semana Nacional de Economia Circular, a ser celebrada todos os anos na semana que compreende o dia 27 de junho, data que homenageia a publicação do decreto que criou a Estratégia Nacional de Economia Circular, em 2024. Durante o período, a proposta prevê a realização de palestras, seminários, exposições, mutirões, feiras e oficinas voltadas ao reparo e à reutilização de produtos, além de ações de regeneração ambiental e de incentivo ao design circular. A ideia central é divulgar políticas públicas, projetos e boas práticas relacionadas ao tema entre cidadãos, empresas e órgãos públicos. Em que fase está a proposta O projeto já foi aprovado pela Comissão de Meio Ambiente do Senado e, na sequência, também passou pelo Plenário. Agora, o texto segue para análise da Câmara dos Deputados antes de poder virar lei. Por que uma data assim importa Pode parecer, à primeira vista, apenas uma data comemorativa. Mas datas oficiais como essa costumam funcionar como estrutura organizativa: elas dão um ponto de encontro para políticas públicas, ações do setor privado e iniciativas educativas que hoje acontecem de forma dispersa ao longo do ano. Para empresas que já trabalham com reaproveitamento de materiais, uma semana nacional dedicada ao tema representa mais visibilidade para práticas que já fazem parte da rotina, e uma oportunidade de aproximar ainda mais o público da lógica por trás da economia circular. O que isso representa para o setor Iniciativas como essa reforçam um movimento mais amplo: a economia circular deixando de ser pauta lateral para ocupar espaço estruturado nas políticas públicas brasileiras. Para empresas que processam materiais e os devolvem à cadeia produtiva, isso significa operar dentro de uma agenda que só tende a crescer em relevância e visibilidade. Na Recicla, seguimos de perto essas movimentações, porque elas dizem respeito diretamente ao que fazemos todos os dias. Continue acompanhando o Recicla News para saber quando esse projeto avançar.
Por Túlio Dantas • 17 de setembro de 2026
Quem compra e vende materiais metálicos sabe que o preço da sucata não é um número fixo, ele responde a movimentos de mercado, oferta e demanda global. E o começo de setembro trouxe um dado relevante para quem acompanha esse cenário de perto: a sucata de alumínio está sendo negociada no maior patamar em mais de um ano. O que os números mostram No início de setembro, o preço internacional da sucata de alumínio chegou a US$ 2.559,57 por tonelada, uma alta de quase 6% apenas no último mês e de quase 21% em relação ao mesmo período do ano passado. É um movimento consistente, não um pico isolado, o que costuma sinalizar uma mudança real na relação entre oferta e demanda do material. Por que a demanda por sucata está subindo Esse aquecimento de preço acompanha um movimento mais amplo do setor: siderúrgicas e produtoras de alumínio vêm ampliando o uso de material reciclado como parte de suas estratégias de redução de emissões e eficiência de custo. Um exemplo recente é a parceria entre uma grande recicladora de veículos e uma das maiores siderúrgicas do país, que já garantiu a compra de praticamente toda a sucata metálica gerada pela operação, com volume que deve chegar a milhares de toneladas por mês. Esse tipo de movimento reforça que a sucata deixou de ser tratada como material secundário e passou a ocupar um papel estratégico dentro do planejamento de compra das indústrias. O que isso representa para quem compra e vende material Para quem fornece sucata, o cenário é favorável: mais demanda tende a sustentar preços mais altos. Já para quem compra o material para processar e revender, o momento pede atenção redobrada na formação de preço e na negociação com fornecedores, já que o custo de aquisição também sobe. Em qualquer um dos dois lados, contar com um parceiro que acompanha o mercado de perto, entende a variação de preços internacionais e tem estrutura para negociar com segurança faz diferença real no resultado financeiro da operação. Na Recicla, seguimos de olho nesses movimentos para orientar da melhor forma cada negociação com nossos parceiros, fornecedores e compradores. Continue acompanhando o Recicla News para saber quando o mercado se mexer de novo.