Economia circular já chega a 57% da indústria. O que ainda impede que ela ganhe escala?

A economia circular saiu do discurso e entrou na rotina de mais da metade da indústria brasileira. É o que mostra a Sondagem Especial 102 da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada em 1º de outubro, que ouviu mais de 1.600 empresários: 57% das indústrias já adotam pelo menos uma prática de economia circular. A pesquisa também aponta onde está o gargalo, e ele diz muito sobre o mercado em que a Recicla atua.
A reciclagem está na frente
Entre as práticas mapeadas, a reciclagem é a mais comum, presente em 32% das empresas. Logística reversa, uso de materiais reciclados nos produtos e reparo de itens aparecem na sequência, cada uma com 26%. Já o design circular (14%) e a simbiose industrial (10%), quando uma indústria aproveita o que sobra da outra, ainda são pouco praticadas.
Um país que avança em ritmos diferentes
A adesão muda bastante conforme o porte e o setor. Entre as grandes indústrias, 66% já têm alguma prática circular. Nas médias, o número cai para 54% e, nas pequenas, para 43%. Entre os setores, equipamentos eletrônicos (86%) e produtos de borracha (85%) lideram, enquanto a construção de edifícios aparece no fim da lista, com 27%.
O que está travando a escala
Na parte econômica, dois obstáculos dividem o primeiro lugar, citados por 25% das empresas cada: a falta de demanda por produtos e serviços circulares e os juros elevados. Em terceiro vem a falta de isonomia tributária entre material reciclado e material virgem, apontada por 23%. Na prática, o insumo reciclado pode acabar com carga tributária maior ao longo das etapas de reaproveitamento.
A falta de demanda pesa ainda mais entre as grandes empresas (29%), e a pesquisa mostra por quê: quando percebem pouca procura, as empresas tendem a reduzir ou adiar investimentos, e isso se espalha pela cadeia de fornecedores e parceiros.
O retorno existe, mas nem sempre é fácil de enxergar
Entre as empresas que já investem em economia circular, 40% confirmam retorno financeiro e apenas 1% registrou prejuízo. Por outro lado, 46% ainda não conseguem ligar o resultado financeiro à prática adotada. A redução de custos operacionais é o benefício mais esperado, citado por 40% das indústrias.
O que isso significa para quem trabalha com materiais metálicos
A conclusão da pesquisa ajuda a entender o papel de cada elo da cadeia. Reciclar só fecha o ciclo quando o material processado encontra quem vai usá-lo de novo. É por isso que classificação técnica, qualidade e regularidade de entrega fazem tanta diferença: são elas que dão confiança para a indústria comprar material reciclado em vez de matéria-prima nova.
Na Recicla, esse é o trabalho do dia a dia: receber, classificar, processar e devolver ao mercado, nacional e internacional, materiais metálicos prontos para voltar à produção.
E você, sente esse movimento na sua empresa? Continue acompanhando o Recicla News.




