Economia circular já chega a 57% da indústria. O que ainda impede que ela ganhe escala?

Túlio Dantas • 22 de outubro de 2026
Economia circular na indústria brasileira: reciclagem de materiais metálicos e reaproveitamento de resíduos para a produção industrial.

A economia circular saiu do discurso e entrou na rotina de mais da metade da indústria brasileira. É o que mostra a Sondagem Especial 102 da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada em 1º de outubro, que ouviu mais de 1.600 empresários: 57% das indústrias já adotam pelo menos uma prática de economia circular. A pesquisa também aponta onde está o gargalo, e ele diz muito sobre o mercado em que a Recicla atua.

A reciclagem está na frente


Entre as práticas mapeadas, a reciclagem é a mais comum, presente em 32% das empresas. Logística reversa, uso de materiais reciclados nos produtos e reparo de itens aparecem na sequência, cada uma com 26%. Já o design circular (14%) e a simbiose industrial (10%), quando uma indústria aproveita o que sobra da outra, ainda são pouco praticadas.

Um país que avança em ritmos diferentes

A adesão muda bastante conforme o porte e o setor. Entre as grandes indústrias, 66% já têm alguma prática circular. Nas médias, o número cai para 54% e, nas pequenas, para 43%. Entre os setores, equipamentos eletrônicos (86%) e produtos de borracha (85%) lideram, enquanto a construção de edifícios aparece no fim da lista, com 27%.


O que está travando a escala


Na parte econômica, dois obstáculos dividem o primeiro lugar, citados por 25% das empresas cada: a falta de demanda por produtos e serviços circulares e os juros elevados. Em terceiro vem a falta de isonomia tributária entre material reciclado e material virgem, apontada por 23%. Na prática, o insumo reciclado pode acabar com carga tributária maior ao longo das etapas de reaproveitamento.

A falta de demanda pesa ainda mais entre as grandes empresas (29%), e a pesquisa mostra por quê: quando percebem pouca procura, as empresas tendem a reduzir ou adiar investimentos, e isso se espalha pela cadeia de fornecedores e parceiros.

O retorno existe, mas nem sempre é fácil de enxergar


Entre as empresas que já investem em economia circular, 40% confirmam retorno financeiro e apenas 1% registrou prejuízo. Por outro lado, 46% ainda não conseguem ligar o resultado financeiro à prática adotada. A redução de custos operacionais é o benefício mais esperado, citado por 40% das indústrias.

O que isso significa para quem trabalha com materiais metálicos


A conclusão da pesquisa ajuda a entender o papel de cada elo da cadeia. Reciclar só fecha o ciclo quando o material processado encontra quem vai usá-lo de novo. É por isso que classificação técnica, qualidade e regularidade de entrega fazem tanta diferença: são elas que dão confiança para a indústria comprar material reciclado em vez de matéria-prima nova.

Na Recicla, esse é o trabalho do dia a dia: receber, classificar, processar e devolver ao mercado, nacional e internacional, materiais metálicos prontos para voltar à produção.

E você, sente esse movimento na sua empresa? Continue acompanhando o Recicla News.

Por Túlio Dantas • 15 de outubro de 2026
O Brasil vive uma verdadeira revolução na sua matriz energética. A expansão da energia solar fotovoltaica consolidou o país como uma das referências mundiais em fontes renováveis. No entanto, junto com o crescimento expressivo das instalações residenciais, comerciais e industriais, surge uma questão central para o futuro da sustentabilidade: o que fazer com os equipamentos quando eles atingirem o fim da sua vida útil? Embora um painel solar tenha vida útil média de 25 a 30 anos, a substituição antecipada por tecnologias mais eficientes, avarias de transporte e manutenções geram um volume crescente de resíduos que não podem ser descartados de qualquer forma. O valor que está dentro de cada módulo Um painel fotovoltaico é composto por materiais de altíssimo valor agregado e com enorme potencial de reciclagem. Cerca de 80% a 90% dos componentes de um módulo solar podem ser reintroduzidos na cadeia produtiva: Alumínio: Presente nas molduras e estruturas de fixação, 100% reciclável sem perda de qualidade. Cobre: Utilizado nos cabeamentos e conexões elétricas, essencial para a condução de energia e de altíssimo valor de mercado. Vidro e Polímeros: Componentes que protegem as células e podem ser destinados à indústria de transformação. O papel da reciclagem na transição energética Reciclar esses componentes é garantir que os próprios insumos que viabilizam a energia limpa continuem em circulação. Extrair minérios virgens exige alto consumo de energia e recursos naturais. Quando reintroduzimos o alumínio e o cobre reciclados na indústria, reduzimos drasticamente a pegada de carbono de toda a cadeia. Empresas e indústrias que investem no descarte correto e na gestão eficiente de seus materiais obsoletos não apenas cumprem requisitos ambientais, mas também geram eficiência financeira e reforçam seu compromisso com a agenda ESG. Na Recicla, acompanhamos de perto essas transformações. Processar e dar a destinação correta a metais e materiais estratégicos é o nosso compromisso para manter a economia em movimento de forma limpa e sustentável.
Por Túlio Dantas • 7 de outubro de 2026
Uma reportagem publicada pela Jovem Pan Business trouxe um dado que resume bem a mudança de mentalidade do setor: segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), 57% das indústrias brasileiras já usam práticas de reciclagem e economia circular para gerar lucro, e 40% delas já tiveram retorno financeiro direto com isso. A sucata deixou de ser sobra de produção para entrar de vez no planejamento financeiro das empresas. O erro que mais custa caro Segundo especialistas ouvidos na reportagem, o que mais destrói valor no setor não é variação de câmbio ou de demanda: é a falta de conhecimento técnico sobre a composição dos materiais. Uma classificação errada pode custar caro de verdade. Um lote de 30 toneladas de aço inoxidável contaminado por impurezas acima do limite técnico permitido pode gerar um prejuízo superior a R$ 100 mil para quem compra o material. O exemplo mais simples ilustra bem o problema: um fogão vendido inteiro como material misto vale muito menos do que a soma de suas peças separadas, alumínio, ferro e lã de vidro, cada uma com comprador e preço próprios. Quanto mais precisa a separação, maior o valor final do lote. Onde está o maior ganho ainda não explorado A separação básica por tipo de material (metal, papel, orgânico) já é comum na maioria das operações. O que ainda é praticado por poucas plantas, e onde está o maior ganho financeiro, é a segregação por liga metálica específica. Algumas empresas já entenderam esse valor a ponto de repassar parte da receita da venda de sucata às equipes que fazem a triagem, como forma de incentivar a precisão nesse processo. Por que isso reforça o papel de quem já opera com essa técnica Esse cenário reforça algo que faz parte da rotina operacional da Recicla: cada material que chega até nós passa por triagem, classificação e processamento técnico antes de seguir para o mercado. É exatamente esse cuidado na classificação que transforma sucata em ativo de alto valor, em vez de material genérico vendido por um preço menor do que poderia valer. Para empresas que ainda tratam a sucata como resíduo secundário, o recado do setor é claro: conhecimento técnico sobre os materiais vale tanto quanto volume. Continue acompanhando o Recicla News para saber das próximas novidades do setor.