Exportações de sucata ferrosa caem 30% em setembro. O que está por trás desse movimento

Túlio Dantas • 29 de outubro de 2026

O mercado de sucata ferrosa teve uma virada de tendência. Segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional da Reciclagem (Inesfa), as exportações brasileiras do material somaram 69.442 toneladas em setembro, uma queda de 30,3% em relação ao mesmo mês de 2025, quando chegaram a 99.700 toneladas. No acumulado de janeiro a setembro, as vendas externas também ficaram abaixo do ano passado pela primeira vez em 2026: 657.655 toneladas, contra 673.006 toneladas, uma retração de 2,28%.


O que explica a queda


De acordo com o presidente do Inesfa, Clineu Alvarenga, o principal fator é o aumento do frete marítimo, provocado pelo cenário internacional de incertezas e conflitos. A lógica é simples: a sucata ferrosa tem baixo valor agregado por tonelada, então qualquer alta no custo do transporte pode inviabilizar a venda para o exterior.


Há também o efeito do mercado interno, que segue em compasso de espera. Segundo o Inesfa, a demanda das usinas siderúrgicas continua baixa, em um cenário de economia mais retraída.


Exportar é a exceção, não a regra


Um dado ajuda a dar proporção ao assunto: as exportações representam apenas o volume excedente, algo em torno de 5% de tudo o que é comercializado. O restante abastece a própria indústria nacional. Os principais compradores da sucata brasileira no exterior são países da Ásia, como Índia, Bangladesh e Paquistão, e o Inesfa espera uma recuperação das vendas externas em outubro e nos meses seguintes, com o fim do período de monções (as chuvas fortes) na região.


O que o mercado está valorizando


Em um cenário de margens apertadas, ganha peso quem entrega material pronto para uso. Segundo o Inesfa, cerca de 60% da sucata consumida pelas usinas no mercado interno já é de pronto uso, ou seja, processada, classificada e preparada para entrar direto na produção de aço. É esse tipo de material que torna a produção mais eficiente para quem compra e abre mais portas para quem vende.



Para quem trabalha com sucata, o recado é prático: acompanhar o preço do frete, a demanda das usinas e o calendário dos compradores internacionais ajuda a decidir quando e como vender.


Na Recicla, seguimos de olho nesses movimentos porque eles afetam diretamente quem compra e vende material metálico com a gente. Sua empresa tem sentido esse cenário no dia a dia? Continue acompanhando o Recicla News.

Por Túlio Dantas • 22 de outubro de 2026
A economia circular saiu do discurso e entrou na rotina de mais da metade da indústria brasileira. É o que mostra a Sondagem Especial 102 da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada em 1º de outubro, que ouviu mais de 1.600 empresários: 57% das indústrias já adotam pelo menos uma prática de economia circular. A pesquisa também aponta onde está o gargalo, e ele diz muito sobre o mercado em que a Recicla atua. A reciclagem está na frente Entre as práticas mapeadas, a reciclagem é a mais comum, presente em 32% das empresas. Logística reversa, uso de materiais reciclados nos produtos e reparo de itens aparecem na sequência, cada uma com 26%. Já o design circular (14%) e a simbiose industrial (10%), quando uma indústria aproveita o que sobra da outra, ainda são pouco praticadas. Um país que avança em ritmos diferentes A adesão muda bastante conforme o porte e o setor. Entre as grandes indústrias, 66% já têm alguma prática circular. Nas médias, o número cai para 54% e, nas pequenas, para 43%. Entre os setores, equipamentos eletrônicos (86%) e produtos de borracha (85%) lideram, enquanto a construção de edifícios aparece no fim da lista, com 27%. O que está travando a escala Na parte econômica, dois obstáculos dividem o primeiro lugar, citados por 25% das empresas cada: a falta de demanda por produtos e serviços circulares e os juros elevados. Em terceiro vem a falta de isonomia tributária entre material reciclado e material virgem, apontada por 23%. Na prática, o insumo reciclado pode acabar com carga tributária maior ao longo das etapas de reaproveitamento. A falta de demanda pesa ainda mais entre as grandes empresas (29%), e a pesquisa mostra por quê: quando percebem pouca procura, as empresas tendem a reduzir ou adiar investimentos, e isso se espalha pela cadeia de fornecedores e parceiros. O retorno existe, mas nem sempre é fácil de enxergar Entre as empresas que já investem em economia circular, 40% confirmam retorno financeiro e apenas 1% registrou prejuízo. Por outro lado, 46% ainda não conseguem ligar o resultado financeiro à prática adotada. A redução de custos operacionais é o benefício mais esperado, citado por 40% das indústrias. O que isso significa para quem trabalha com materiais metálicos A conclusão da pesquisa ajuda a entender o papel de cada elo da cadeia. Reciclar só fecha o ciclo quando o material processado encontra quem vai usá-lo de novo. É por isso que classificação técnica, qualidade e regularidade de entrega fazem tanta diferença: são elas que dão confiança para a indústria comprar material reciclado em vez de matéria-prima nova. Na Recicla, esse é o trabalho do dia a dia: receber, classificar, processar e devolver ao mercado, nacional e internacional, materiais metálicos prontos para voltar à produção. E você, sente esse movimento na sua empresa? Continue acompanhando o Recicla News.
Por Túlio Dantas • 15 de outubro de 2026
O Brasil vive uma verdadeira revolução na sua matriz energética. A expansão da energia solar fotovoltaica consolidou o país como uma das referências mundiais em fontes renováveis. No entanto, junto com o crescimento expressivo das instalações residenciais, comerciais e industriais, surge uma questão central para o futuro da sustentabilidade: o que fazer com os equipamentos quando eles atingirem o fim da sua vida útil? Embora um painel solar tenha vida útil média de 25 a 30 anos, a substituição antecipada por tecnologias mais eficientes, avarias de transporte e manutenções geram um volume crescente de resíduos que não podem ser descartados de qualquer forma. O valor que está dentro de cada módulo Um painel fotovoltaico é composto por materiais de altíssimo valor agregado e com enorme potencial de reciclagem. Cerca de 80% a 90% dos componentes de um módulo solar podem ser reintroduzidos na cadeia produtiva: Alumínio: Presente nas molduras e estruturas de fixação, 100% reciclável sem perda de qualidade. Cobre: Utilizado nos cabeamentos e conexões elétricas, essencial para a condução de energia e de altíssimo valor de mercado. Vidro e Polímeros: Componentes que protegem as células e podem ser destinados à indústria de transformação. O papel da reciclagem na transição energética Reciclar esses componentes é garantir que os próprios insumos que viabilizam a energia limpa continuem em circulação. Extrair minérios virgens exige alto consumo de energia e recursos naturais. Quando reintroduzimos o alumínio e o cobre reciclados na indústria, reduzimos drasticamente a pegada de carbono de toda a cadeia. Empresas e indústrias que investem no descarte correto e na gestão eficiente de seus materiais obsoletos não apenas cumprem requisitos ambientais, mas também geram eficiência financeira e reforçam seu compromisso com a agenda ESG. Na Recicla, acompanhamos de perto essas transformações. Processar e dar a destinação correta a metais e materiais estratégicos é o nosso compromisso para manter a economia em movimento de forma limpa e sustentável.