7 vitórias para o clima e a natureza em 2025

13 de janeiro de 2026

Apesar do avanço das mudanças climáticas e da pressão crescente sobre os ecossistemas, 2025 também foi marcado por conquistas relevantes para o clima e a natureza. Algumas delas aconteceram de forma silenciosa, mas ajudam a redesenhar o futuro ambiental do planeta.

 

1. Energia renovável supera o carvão no mundo


Em 2025, fontes como solar e eólica ultrapassaram o carvão como principal fonte de eletricidade global. A China liderou esse avanço, ampliando sua capacidade instalada e reduzindo, pela primeira vez, suas emissões de CO₂ por um período contínuo.


Esse crescimento cria condições reais para a redução gradual do uso de combustíveis fósseis, ainda que o ritmo precise acelerar para enfrentar os riscos climáticos.


2. Proteção histórica dos oceanos


O Tratado do Alto-Mar entrou oficialmente em vigor, comprometendo países a proteger 30% das águas internacionais do planeta. Além disso, foi criada a maior Área Marinha Protegida do mundo, na Polinésia Francesa.


Essas ações representam um passo decisivo para a preservação da biodiversidade marinha e para o equilíbrio climático global.


3. Redução do desmatamento e foco nas florestas


Com a COP30 sediada na Amazônia, o Brasil colocou as florestas no centro do debate climático. O país registrou o menor índice de desmatamento dos últimos 11 anos e lançou o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, voltado à valorização da floresta em pé.


Globalmente, o desmatamento caiu 38% em comparação às décadas anteriores, ainda que os números sigam preocupantes.


4. Decisão histórica da Justiça internacional


O Tribunal Internacional de Justiça emitiu uma decisão que abre caminho para responsabilizar países por danos climáticos. Embora não seja vinculante, o entendimento cria precedentes importantes para ações futuras e fortalece a governança climática global.


5. Recuperação de espécies ameaçadas


Em 2025, a tartaruga-verde deixou a lista de espécies ameaçadas, após décadas de esforços de conservação. A Índia também dobrou sua população de tigres em pouco mais de dez anos, mostrando que políticas consistentes de proteção da fauna funcionam.


6. Reconhecimento do papel dos povos indígenas


Os povos indígenas passaram a ter participação formal nas decisões globais sobre biodiversidade e clima. O reconhecimento de seus territórios e saberes tradicionais reforça a importância da conservação aliada à justiça social.


7. Restauração de rios e ecossistemas


A remoção de represas no rio Klamath, nos Estados Unidos, permitiu o retorno dos salmões às áreas de desova após gerações. O caso se tornou símbolo de como a restauração ambiental pode trazer resultados rápidos e positivos.



O papel da economia circular nesse cenário


Essas vitórias reforçam uma mensagem clara: enfrentar a crise climática exige transformar a forma como produzimos, consumimos e descartamos materiais.


A reciclagem e a economia circular reduzem emissões, preservam recursos naturais e fortalecem cadeias produtivas mais eficientes, contribuindo diretamente para resultados ambientais como os observados em 2025.

2 de abril de 2026
O gelo marinho do Ártico atingiu o menor nível já registrado durante o inverno no hemisfério norte. Os dados são do Centro Nacional de Dados de Neve e Gelo, referência global no monitoramento das regiões polares. A nova medição reforça o avanço das mudanças climáticas e seus impactos diretos sobre o equilíbrio do planeta. Menor extensão em quase cinco décadas A extensão máxima do gelo foi registrada em 15 de março, atingindo cerca de 14,29 milhões de quilômetros quadrados. O número é praticamente igual ao recorde negativo do ano anterior e representa o menor nível desde o início das medições por satélite, há 48 anos. Esse dado chama a atenção porque o período de inverno é justamente quando o gelo deveria atingir sua maior expansão. Mesmo assim, a formação não tem conseguido se recuperar como em décadas anteriores. Por que o gelo está diminuindo? O gelo marinho do Ártico se forma a partir do congelamento da água do mar durante o inverno e derrete parcialmente no verão. No entanto, esse ciclo natural vem sendo alterado. O aumento das temperaturas globais e a intensificação de tempestades têm dificultado a formação e a estabilidade do gelo. Como resultado, a cada ano, a camada congelada se torna mais fina, mais frágil e menos extensa. Além disso, o próprio derretimento acelera o aquecimento. Sem o gelo, que reflete a luz solar, o oceano absorve mais calor, intensificando ainda mais o processo. Impactos para o planeta A redução do gelo no Ártico não é um problema isolado. Ela afeta diretamente o equilíbrio climático global. O gelo polar desempenha um papel importante na regulação da temperatura da Terra. Sua diminuição contribui para o aumento do nível do mar, altera correntes oceânicas e impacta ecossistemas inteiros. Espécies que dependem desse ambiente também sofrem, enquanto mudanças nas correntes e no clima podem afetar regiões muito além do Ártico. O que isso tem a ver com reciclagem? As mudanças observadas no Ártico estão diretamente ligadas ao aumento das emissões de gases de efeito estufa, resultado do modelo de produção e consumo global. A reciclagem surge como uma ferramenta importante nesse cenário. Ao reduzir a necessidade de extração de novas matérias-primas e diminuir o consumo de energia na indústria, ela contribui para a redução das emissões. A economia circular amplia esse impacto ao propor um ciclo contínuo de uso dos materiais, evitando desperdícios e reduzindo a pressão sobre o meio ambiente. Um alerta que vem do gelo Os dados do Ártico funcionam como um termômetro do planeta. A redução histórica do gelo indica que as mudanças climáticas estão avançando em ritmo acelerado. Diante desse cenário, repensar hábitos de consumo e fortalecer práticas como a reciclagem são passos essenciais para reduzir impactos e construir um futuro mais sustentável.
19 de março de 2026
No Brasil, a reciclagem tem um protagonista muitas vezes invisível: os catadores e catadoras de materiais recicláveis. Embora sejam responsáveis por grande parte dos materiais que retornam ao ciclo produtivo, esses trabalhadores ainda enfrentam condições marcadas pela informalidade, baixa renda e falta de reconhecimento. Estimativas recentes indicam que o país conta com pelo menos 800 mil catadores, número que pode ultrapassar 1 milhão atualmente. Mesmo com recursos limitados, eles são responsáveis por aproximadamente 90% dos materiais recicláveis que chegam à indústria. Esse cenário revela um paradoxo. Enquanto esses trabalhadores sustentam a base da economia circular no país, o Brasil ainda recicla apenas cerca de 4% de todo o potencial de reaproveitamento de materiais. A distância entre lei e realidade A gestão de resíduos no país é orientada pela Política Nacional de Resíduos Sólidos, instituída em 2010. A legislação estabeleceu princípios importantes, como a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos e a inclusão socioeconômica dos catadores. Entre seus objetivos estava também a eliminação dos lixões em todo o território nacional até 2014. O prazo foi posteriormente prorrogado para 2024, mas o problema ainda persiste em diversas regiões do país. A existência de milhares de lixões ativos representa um grave problema ambiental. Além da contaminação do solo e das águas subterrâneas, esses locais contribuem para a emissão de gases como metano e dióxido de carbono, que intensificam o aquecimento global. Organização e reconhecimento A atividade de catador foi oficialmente reconhecida em 2002 no Cadastro Brasileiro de Ocupações. No entanto, o reconhecimento formal ainda não se traduziu em melhores condições de trabalho para grande parte da categoria. Uma das principais alternativas para fortalecer esses trabalhadores é a organização em cooperativas e associações. Atualmente, existem mais de 3 mil organizações desse tipo no país, mas apenas cerca de 5% dos catadores estão vinculados a elas. Movimentos sociais como o Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis têm desempenhado papel fundamental na luta por direitos, reconhecimento e participação nas políticas públicas de gestão de resíduos. Um setor em crise Mesmo com avanços recentes nas políticas públicas, o setor da reciclagem enfrenta dificuldades econômicas significativas. Empresas do setor relatam baixa valorização dos materiais reciclados, insegurança tributária e dificuldades de acesso a crédito. Esse cenário impacta toda a cadeia produtiva. Quando empresas reduzem suas operações ou encerram atividades, cooperativas e trabalhadores autônomos acabam sendo diretamente afetados. Muitas cooperativas operam com margens financeiras muito reduzidas e enfrentam dificuldades para manter regularidade fiscal, condição necessária para acessar editais e programas de apoio governamental. O papel dos municípios A implementação das políticas de resíduos sólidos depende fortemente da atuação das prefeituras. São os municípios que organizam a coleta seletiva e fazem a gestão direta dos resíduos urbanos. Experiências em diferentes cidades mostram que municípios que incluem cooperativas de catadores em seus sistemas de coleta seletiva alcançam melhores resultados tanto na reciclagem quanto na redução de impactos ambientais. Além disso, políticas locais de inclusão produtiva ajudam a reduzir a vulnerabilidade social dos catadores e fortalecem a economia circular. Economia circular com justiça social A discussão sobre reciclagem no Brasil não envolve apenas questões ambientais. Ela também levanta um debate importante sobre trabalho, inclusão social e justiça econômica. Para que a economia circular funcione plenamente, é necessário reconhecer e valorizar quem atua na base desse sistema. Investimentos em infraestrutura, capacitação, acesso a crédito e fortalecimento das cooperativas são fundamentais para garantir condições dignas de trabalho. Mais do que uma solução ambiental, a reciclagem pode ser também uma estratégia de desenvolvimento social. Reconhecer o protagonismo dos catadores é um passo essencial para construir um modelo de sustentabilidade que seja, ao mesmo tempo, eficiente e justo.