Brasil pode zerar emissões de gases 10 anos antes da meta, diz estudo

14 de novembro de 2025

O estudo Brazil Net-Zero by 2040, divulgado pelo Instituto Amazônia 4.0 em parceria com diversas universidades brasileiras, aponta que o Brasil pode atingir a neutralidade de carbono já em 2040, uma década antes do previsto pelo Acordo de Paris. 


A conclusão baseia-se em simulações do BLUES (Brazilian Land Use and Energy System Model), que projeta cenários distintos de uso da terra, energia e políticas climáticas.


A consolidação desse resultado coincide com um momento estratégico: A COP 30, em Belém, onde o tema da antecipação das metas climáticas está no centro do debate global. 

Os caminhos possíveis: natureza ou energia como força principal


O estudo identifica dois caminhos realistas para acelerar a descarbonização:


AFOLU-2040: soluções baseadas na natureza


Esse cenário concentra esforços no combate ao desmatamento, na restauração de ecossistemas e no estímulo a práticas agrícolas regenerativas. Segundo os pesquisadores, 87% das remoções de carbono até 2040 poderiam vir dessas ações:


Zerar o desmatamento até 2030;

Ampliar reflorestamento e restauração;

Incentivar sistemas agroflorestais;

Adotar modelos produtivos que regeneram o solo e ampliam a biodiversidade.


É o caminho de menor custo e maior previsibilidade, já que se baseia em tecnologias e práticas que o país domina.

Energy-2040: a aceleração da transição energética


A segunda trajetória aposta em uma mudança estrutural da matriz energética brasileira.


Maior uso de biocombustíveis;

Redução da dependência de petróleo;

Expansão de tecnologias de captura e armazenamento de carbono;

Desenvolvimento de novas infraestruturas de baixa emissão.


Este cenário reduz riscos territoriais, mas envolve custos mais elevados e o uso de tecnologias que ainda estão em fase de consolidação no país. 

Custos, desafios e potencial de impacto


A AFOLU-2040 exigiria cerca de 1% de investimento adicional em relação à meta atual, sendo considerada a via mais acessível. Já a Energy-2040 demandaria cerca de 20% a mais de investimentos, devido à criação de novas infraestruturas e tecnologias industriais. 


Ainda assim, os pesquisadores apontam que, com cooperação entre setores públicos e privados, além de uma distribuição justa dos custos, ambas as rotas são viáveis.


O Brasil, se bem-sucedido, pode se tornar um exemplo global de desenvolvimento associado à descarbonização.

Por que isso importa? E qual o papel da reciclagem no processo


A transição para emissões líquidas zero envolve reduzir a pressão sobre florestas, diminuir o uso de combustíveis fósseis e transformar a lógica de produção e consumo. Nesse ponto, a reciclagem se torna uma das ferramentas mais diretas para:


Evitar emissões associadas à extração de novos recursos;

Reduzir o volume de resíduos enviados a aterros;

Diminuir o uso de energia em processos industriais;

Fortalecer cadeias produtivas circulares. 


Ao prolongar o ciclo de vida dos materiais, a economia circular contribui para a mitigação climática, especialmente em setores como metais, papel, embalagens e plásticos, que têm grande impacto emissivo na cadeia produtiva.


O estudo indica que alcançar emissões líquidas zero até 2040 é possível, desejável e estrategicamente vantajoso. Mais que atingir metas, trata-se de redefinir o desenvolvimento nacional, conectando proteção ambiental, economia e inovação. 


Nesse processo, a reciclagem e a economia circular não são apenas complementos, são pilares essenciais de uma transição climática consistente, capaz de gerar emprego, valor e impacto real.


Por Túlio Dantas 11 de agosto de 2026
A transformação da indústria passa, cada vez mais, pela capacidade de desenvolver soluções para materiais que apresentam desafios técnicos e grande potencial de reaproveitamento. Entre eles, as baterias ocupam um papel de destaque. Com a expansão da mobilidade elétrica, do armazenamento de energia e do consumo de equipamentos eletrônicos, cresce também o volume de baterias que chegarão ao fim de sua vida útil nos próximos anos. Esse cenário tem estimulado empresas, centros de pesquisa e instituições a investirem em novas tecnologias capazes de ampliar a recuperação de componentes e tornar o processo de reciclagem mais eficiente. Segundo reportagem do Jornal de Negócios, projetos voltados à reciclagem de baterias têm acelerado iniciativas de inovação, demonstrando que o desenvolvimento tecnológico será um dos pilares para fortalecer a economia circular e reduzir a dependência de matérias-primas extraídas da natureza. Por que a reciclagem de baterias é estratégica? As baterias são compostas por materiais que possuem alto valor econômico e podem ser reaproveitados quando submetidos a processos adequados. O avanço das tecnologias de reciclagem permite: Recuperar matérias-primas que retornam ao ciclo produtivo; Reduzir a necessidade de extração de novos recursos naturais; Diminuir impactos ambientais relacionados ao descarte inadequado; Tornar a cadeia produtiva mais eficiente e sustentável. Inovação como diferencial competitivo O desenvolvimento de novas soluções para a reciclagem mostra que inovação e sustentabilidade caminham juntas. À medida que novas tecnologias surgem, empresas do setor conseguem aumentar sua eficiência operacional, ampliar o aproveitamento dos materiais e atender às demandas de um mercado cada vez mais comprometido com práticas sustentáveis. Esse movimento também fortalece a economia circular, em que materiais deixam de ser vistos como um fim e passam a representar novos ciclos de utilização. O futuro da reciclagem passa pela tecnologia Embora o desafio seja grande, os investimentos em pesquisa e inovação mostram que o setor está preparado para evoluir. Empresas que acompanham essas transformações ampliam sua capacidade de oferecer soluções cada vez mais eficientes e alinhadas às necessidades da indústria e da sociedade. Na Recicla, acompanhamos de perto as tendências que impulsionam o setor, acreditando que inovação, tecnologia e gestão responsável são caminhos fundamentais para construir uma cadeia cada vez mais eficiente e sustentável. Fonte: Jornal de Negócios – Reciclagem das baterias acelera projetos de inovação.
Por Túlio Dantas 4 de agosto de 2026
O setor de reciclagem teve uma notícia importante nas últimas semanas: a Câmara dos Deputados aprovou um projeto que torna permanentes os incentivos fiscais destinados à indústria da reciclagem, eliminando o prazo de validade que expiraria no fim de 2026. Para quem atua no setor, entender essa mudança é essencial, e pode representar oportunidades reais para o seu negócio. O que é a Lei de Incentivo à Reciclagem A Lei de Incentivo à Reciclagem (Lei 14.260/2021), regulamentada em 2024, permite que empresas e pessoas físicas direcionem parte do imposto de renda devido para projetos que fortalecem a cadeia da reciclagem e a economia circular no Brasil. Na prática, funciona como um mecanismo de dedução fiscal: em vez de pagar o imposto integralmente à União, a empresa pode investir esse valor em iniciativas que transformam materiais em novos produtos, com benefícios fiscais atrativos. O que muda com a nova aprovação Até então, esses incentivos tinham prazo de validade definido, com vencimento previsto para 31 de dezembro de 2026. O projeto aprovado pela Câmara altera esse cenário: os incentivos deixam de ter data de expiração, o que dá mais previsibilidade para empresas que planejam investimentos de médio e longo prazo no setor. Um prazo que já está correndo Vale destacar: o ciclo 2026 do programa está com prazo de submissão de propostas aberto até 30 de julho, muito em breve. Empresas e organizações que tenham projetos alinhados à gestão de resíduos, à economia circular ou ao fortalecimento da cadeia produtiva da reciclagem podem se cadastrar no sistema oficial do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Por que isso importa para o seu negócio Mais previsibilidade regulatória significa mais segurança para planejar investimentos. Empresas que acompanham essas mudanças de perto conseguem se posicionar à frente, aproveitando benefícios fiscais reais enquanto fortalecem sua atuação em sustentabilidade. Na Recicla, acompanhamos de perto as movimentações do setor para ajudar nossos parceiros a transformar cada mudança regulatória em oportunidade concreta. Continue de olho no Recicla News para não perder nenhuma novidade. Fonte: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima