Como é o plano bilionário para conter o colapso da “Geleira do Juízo Final”

10 de março de 2026

A possível instabilidade da Geleira Thwaites reacendeu um debate global sobre adaptação climática, geoengenharia e responsabilidade ambiental.


Conhecida como “Geleira do Juízo Final”, ela é uma das maiores e mais vulneráveis massas de gelo da Antártida Ocidental, com área comparável ao estado do Paraná e espessura que pode alcançar 2.000 metros.


Por que a Thwaites preocupa tanto?


A geleira atua como uma barreira natural que sustenta o restante do manto de gelo da Antártida Ocidental. Caso essa estrutura seja perdida, o derretimento de outras áreas pode se acelerar de forma significativa, ampliando os riscos em longo prazo. Isso significa que o problema não se limita à elevação direta do nível do mar, mas envolve um possível efeito em cadeia que comprometeria o equilíbrio climático global.


A proposta da “cortina submarina”


Para tentar conter o avanço do degelo, cientistas do Seabed Curtain Project defendem atacar a principal causa do problema: a infiltração de correntes oceânicas quentes na base da geleira.

A proposta consiste na instalação de uma cortina flexível ancorada no fundo do oceano, a aproximadamente 650 metros de profundidade. Essa estrutura funcionaria como uma barreira física capaz de bloquear a entrada de água quente nas cavidades sob a geleira, permitindo apenas a circulação de águas mais frias da superfície. A ideia é reduzir o derretimento na base do gelo e, consequentemente, desacelerar o avanço do colapso.


Embora o conceito seja relativamente simples, sua execução envolve desafios técnicos de grande escala, tanto na instalação quanto na manutenção de uma estrutura em ambiente polar extremo.


Testes antes da Antártida


Antes de qualquer implementação na Antártida, um experimento em menor escala será conduzido pela Universidade Ártica da Noruega. A instituição pretende instalar uma versão reduzida da cortina no fundo do mar em um fiorde norueguês, com o objetivo de avaliar a viabilidade técnica do projeto e analisar possíveis impactos ambientais. O teste servirá como base para decidir se a solução pode, de fato, ser aplicada em um dos ambientes mais sensíveis do planeta.


Quanto custaria?


As estimativas apontam que o projeto pode custar entre 40 e 80 bilhões de dólares, o equivalente a até 418 bilhões de reais. Para os defensores da proposta, o investimento é justificável diante dos potenciais prejuízos econômicos e sociais provocados pelo aumento do nível do mar. Já parte da comunidade científica alerta para os riscos ambientais, a complexidade técnica e a possibilidade de consequências imprevisíveis em ecossistemas marinhos frágeis.


O debate evidencia que o mundo já discute intervenções climáticas de escala inédita, marcando o avanço da chamada geoengenharia polar como alternativa emergencial diante da crise climática.


O que isso tem a ver com reciclagem e economia circular?


Projetos bilionários como esse deixam claro que estamos lidando com consequências acumuladas ao longo de décadas de emissões e exploração intensiva de recursos naturais. Enquanto propostas como a cortina submarina representam estratégias de adaptação, a reciclagem e a economia circular atuam na raiz do problema.


Ao reduzir a extração de matérias-primas, economizar energia nos processos produtivos e diminuir emissões de gases de efeito estufa, a reciclagem contribui diretamente para a mitigação das mudanças climáticas. A economia circular, por sua vez, propõe manter materiais em uso pelo maior tempo possível, reduzindo desperdícios e a pressão sobre os ecossistemas.


Se intervenções como essa buscam conter danos já em curso, a transição para modelos circulares e sustentáveis é o caminho para reduzir a necessidade de soluções extremas no futuro.


Salvar geleiras pode exigir investimentos bilionários. Reduzir impactos começa com decisões estruturais que transformam a forma como produzimos, consumimos e reaproveitamos recursos.

Por Túlio Dantas • 24 de setembro de 2026
A economia circular está ganhando cada vez mais espaço na agenda legislativa brasileira. O Senado aprovou um projeto que cria a Semana Nacional de Economia Circular, uma data que, se confirmada em lei, vai reunir anualmente ações educativas e institucionais em torno do tema em todo o país. O que prevê o projeto O Projeto de Lei 1.681/2026 institui a Semana Nacional de Economia Circular, a ser celebrada todos os anos na semana que compreende o dia 27 de junho, data que homenageia a publicação do decreto que criou a Estratégia Nacional de Economia Circular, em 2024. Durante o período, a proposta prevê a realização de palestras, seminários, exposições, mutirões, feiras e oficinas voltadas ao reparo e à reutilização de produtos, além de ações de regeneração ambiental e de incentivo ao design circular. A ideia central é divulgar políticas públicas, projetos e boas práticas relacionadas ao tema entre cidadãos, empresas e órgãos públicos. Em que fase está a proposta O projeto já foi aprovado pela Comissão de Meio Ambiente do Senado e, na sequência, também passou pelo Plenário. Agora, o texto segue para análise da Câmara dos Deputados antes de poder virar lei. Por que uma data assim importa Pode parecer, à primeira vista, apenas uma data comemorativa. Mas datas oficiais como essa costumam funcionar como estrutura organizativa: elas dão um ponto de encontro para políticas públicas, ações do setor privado e iniciativas educativas que hoje acontecem de forma dispersa ao longo do ano. Para empresas que já trabalham com reaproveitamento de materiais, uma semana nacional dedicada ao tema representa mais visibilidade para práticas que já fazem parte da rotina, e uma oportunidade de aproximar ainda mais o público da lógica por trás da economia circular. O que isso representa para o setor Iniciativas como essa reforçam um movimento mais amplo: a economia circular deixando de ser pauta lateral para ocupar espaço estruturado nas políticas públicas brasileiras. Para empresas que processam materiais e os devolvem à cadeia produtiva, isso significa operar dentro de uma agenda que só tende a crescer em relevância e visibilidade. Na Recicla, seguimos de perto essas movimentações, porque elas dizem respeito diretamente ao que fazemos todos os dias. Continue acompanhando o Recicla News para saber quando esse projeto avançar.
Por Túlio Dantas • 17 de setembro de 2026
Quem compra e vende materiais metálicos sabe que o preço da sucata não é um número fixo, ele responde a movimentos de mercado, oferta e demanda global. E o começo de setembro trouxe um dado relevante para quem acompanha esse cenário de perto: a sucata de alumínio está sendo negociada no maior patamar em mais de um ano. O que os números mostram No início de setembro, o preço internacional da sucata de alumínio chegou a US$ 2.559,57 por tonelada, uma alta de quase 6% apenas no último mês e de quase 21% em relação ao mesmo período do ano passado. É um movimento consistente, não um pico isolado, o que costuma sinalizar uma mudança real na relação entre oferta e demanda do material. Por que a demanda por sucata está subindo Esse aquecimento de preço acompanha um movimento mais amplo do setor: siderúrgicas e produtoras de alumínio vêm ampliando o uso de material reciclado como parte de suas estratégias de redução de emissões e eficiência de custo. Um exemplo recente é a parceria entre uma grande recicladora de veículos e uma das maiores siderúrgicas do país, que já garantiu a compra de praticamente toda a sucata metálica gerada pela operação, com volume que deve chegar a milhares de toneladas por mês. Esse tipo de movimento reforça que a sucata deixou de ser tratada como material secundário e passou a ocupar um papel estratégico dentro do planejamento de compra das indústrias. O que isso representa para quem compra e vende material Para quem fornece sucata, o cenário é favorável: mais demanda tende a sustentar preços mais altos. Já para quem compra o material para processar e revender, o momento pede atenção redobrada na formação de preço e na negociação com fornecedores, já que o custo de aquisição também sobe. Em qualquer um dos dois lados, contar com um parceiro que acompanha o mercado de perto, entende a variação de preços internacionais e tem estrutura para negociar com segurança faz diferença real no resultado financeiro da operação. Na Recicla, seguimos de olho nesses movimentos para orientar da melhor forma cada negociação com nossos parceiros, fornecedores e compradores. Continue acompanhando o Recicla News para saber quando o mercado se mexer de novo.