Mundo enfrenta os dez anos mais quentes da história — e os impactos já são realidade

7 de abril de 2026

A humanidade atravessou a década mais quente já registrada. É o que aponta o mais recente relatório da Organização Meteorológica Mundial, que analisou o período entre 2015 e 2025 e identificou um avanço consistente do aquecimento global.


Mais do que um recorde isolado, os dados mostram uma tendência contínua de aumento da temperatura do planeta, acompanhada por mudanças profundas no funcionamento do sistema climático.


Um novo padrão de temperatura global


Em 2025, a temperatura média global ficou cerca de 1,43 °C acima dos níveis pré-industriais, posicionando o ano entre os mais quentes já registrados. O dado reforça que o planeta está cada vez mais próximo de ultrapassar limites considerados críticos por cientistas.


Mesmo com a atuação de fenômenos naturais que poderiam amenizar o calor, como a La Niña, o aquecimento global se manteve elevado. Isso indica que a influência das mudanças climáticas já supera variações naturais do clima.


O desequilíbrio energético da Terra


Um dos pontos centrais do relatório é o chamado desequilíbrio energético da Terra. Esse conceito representa a diferença entre a energia que o planeta recebe do Sol e a quantidade que consegue devolver ao espaço.


Em 2025, esse desequilíbrio atingiu o maior nível desde o início das medições, em 1960. Na prática, isso significa que a Terra está acumulando calor de forma contínua, criando um efeito de “armazenamento” de energia no sistema climático.


Esse excesso funciona como combustível para o aumento da intensidade e da frequência de eventos extremos, como tempestades, secas prolongadas e ondas de calor.


Oceanos mais quentes e sob pressão


A maior parte desse calor não permanece na atmosfera. Cerca de 91% da energia acumulada é absorvida pelos oceanos, que vêm registrando níveis recordes de aquecimento.


Nas últimas duas décadas, os mares passaram a armazenar, a cada ano, uma quantidade de energia equivalente a várias vezes o consumo energético anual da humanidade. Esse acúmulo altera o equilíbrio dos ecossistemas marinhos e contribui para mudanças químicas na água, como a acidificação.


Além disso, o aquecimento dos oceanos influencia diretamente o clima global, intensificando as chuvas, alterando correntes marítimas e afetando a biodiversidade.


Impactos já visíveis


Os efeitos desse cenário já são perceptíveis em diferentes regiões do mundo. No Brasil, o aumento das temperaturas tem sido acompanhado por eventos extremos, como secas mais intensas na Amazônia e episódios de chuvas volumosas no Sul do país.


Esses fenômenos mostram que o aquecimento global não é uma projeção futura, mas uma realidade que já impacta o cotidiano, a economia e os ecossistemas.


O que isso tem a ver com reciclagem?


O avanço das mudanças climáticas está diretamente ligado ao modelo de produção e consumo adotado ao longo das últimas décadas. A extração excessiva de recursos naturais, o alto consumo de energia e o descarte inadequado de materiais contribuem para o aumento das emissões de gases de efeito estufa. Nesse contexto, a reciclagem desempenha um papel estratégico. Ao reaproveitar materiais, ela reduz a necessidade de novas matérias-primas, diminui o consumo de energia nos processos produtivos e contribui para a redução das emissões.


A economia circular amplia essa lógica ao propor um sistema em que os materiais permanecem em uso pelo maior tempo possível, reduzindo desperdícios e impactos ambientais.



Reduzir impactos começa agora


Os dados apresentados pelo relatório reforçam a urgência de ações estruturais para enfrentar a crise climática. Enquanto eventos extremos se tornam mais frequentes, cresce também a necessidade de soluções que atuem na origem do problema.


A reciclagem e a economia circular não são apenas alternativas sustentáveis, mas ferramentas essenciais para reduzir a pressão sobre o planeta.


Cuidar do ciclo dos materiais é, também, uma forma de cuidar do clima e de construir um futuro mais equilibrado.


Por Túlio Dantas • 1 de outubro de 2026
O setor de reciclagem do Rio Grande do Norte ganhou uma liderança nova, e com ela, um retrato bastante claro do tamanho da oportunidade que ainda está em jogo no estado. Fernanda Medeiros, diretora da Recicla, foi empossada em 11 de setembro como primeira mulher a presidir o Sindicato das Indústrias de Reciclagem e Descartáveis do Rio Grande do Norte (Sindrecicla-RN), entidade filiada à Fiern que existe há 12 anos. Um estado que recicla menos da metade do que poderia Em entrevista à Tribuna do Norte, Fernanda trouxe um dado que resume bem o desafio do setor: o Rio Grande do Norte tem capacidade técnica para reciclar 52% dos resíduos que gera, mas hoje recicla, em média, apenas 25%. Na prática, isso significa indústrias de reciclagem operando com capacidade ociosa, porque grande parte do material que poderia chegar até elas segue direto para aterros. O impacto financeiro desse gargalo é concreto: segundo levantamento citado na entrevista, o RN deixa de gerar cerca de R$ 700 milhões por ano ao descartar em aterros e lixões materiais que poderiam voltar à cadeia produtiva através da reciclagem. Um setor que já movimenta a economia do estado Apesar do gargalo, o setor já tem peso real na economia potiguar: são 143 indústrias com CNAE de reciclagem no estado, responsáveis por cerca de 24 mil empregos diretos e indiretos. A nova presidente do Sindrecicla-RN também destacou o papel do Proedi (Programa de Estímulo ao Desenvolvimento Industrial), incentivo fiscal conquistado há seis anos, como um fator importante para atrair investimentos para o setor. Onde está o gargalo, segundo quem vive o setor Entre os principais entraves apontados está a falta de coleta seletiva estruturada nos municípios. Segundo Fernanda, são as próprias indústrias de reciclagem, e não o poder público municipal, que hoje colocam em prática o que a Política Nacional de Resíduos Sólidos exige. A aposta da nova gestão do sindicato está em fortalecer a educação ambiental, especialmente entre crianças, e em ampliar parcerias com cooperativas e associações de catadores para melhorar a captação de material reciclável. O que isso significa para quem trabalha com gestão de materiais Esse cenário reforça, com dados concretos, algo que empresas do setor já sabem na prática: existe uma quantidade significativa de material reaproveitável que ainda não chega até quem tem estrutura para processá-lo corretamente. Fechar esse gargalo depende de articulação entre indústria, poder público e sociedade, e é exatamente esse tipo de movimento que fortalece o setor como um todo no Rio Grande do Norte. Na Recicla, seguimos de perto essas discussões, inclusive de dentro delas, porque o crescimento do setor no estado passa por todos nós. Continue acompanhando o Recicla News para saber das próximas novidades.
Por Túlio Dantas • 24 de setembro de 2026
A economia circular está ganhando cada vez mais espaço na agenda legislativa brasileira. O Senado aprovou um projeto que cria a Semana Nacional de Economia Circular, uma data que, se confirmada em lei, vai reunir anualmente ações educativas e institucionais em torno do tema em todo o país. O que prevê o projeto O Projeto de Lei 1.681/2026 institui a Semana Nacional de Economia Circular, a ser celebrada todos os anos na semana que compreende o dia 27 de junho, data que homenageia a publicação do decreto que criou a Estratégia Nacional de Economia Circular, em 2024. Durante o período, a proposta prevê a realização de palestras, seminários, exposições, mutirões, feiras e oficinas voltadas ao reparo e à reutilização de produtos, além de ações de regeneração ambiental e de incentivo ao design circular. A ideia central é divulgar políticas públicas, projetos e boas práticas relacionadas ao tema entre cidadãos, empresas e órgãos públicos. Em que fase está a proposta O projeto já foi aprovado pela Comissão de Meio Ambiente do Senado e, na sequência, também passou pelo Plenário. Agora, o texto segue para análise da Câmara dos Deputados antes de poder virar lei. Por que uma data assim importa Pode parecer, à primeira vista, apenas uma data comemorativa. Mas datas oficiais como essa costumam funcionar como estrutura organizativa: elas dão um ponto de encontro para políticas públicas, ações do setor privado e iniciativas educativas que hoje acontecem de forma dispersa ao longo do ano. Para empresas que já trabalham com reaproveitamento de materiais, uma semana nacional dedicada ao tema representa mais visibilidade para práticas que já fazem parte da rotina, e uma oportunidade de aproximar ainda mais o público da lógica por trás da economia circular. O que isso representa para o setor Iniciativas como essa reforçam um movimento mais amplo: a economia circular deixando de ser pauta lateral para ocupar espaço estruturado nas políticas públicas brasileiras. Para empresas que processam materiais e os devolvem à cadeia produtiva, isso significa operar dentro de uma agenda que só tende a crescer em relevância e visibilidade. Na Recicla, seguimos de perto essas movimentações, porque elas dizem respeito diretamente ao que fazemos todos os dias. Continue acompanhando o Recicla News para saber quando esse projeto avançar.