Política Nacional de Economia Circular: o que está em jogo para a indústria

Túlio Dantas • 15 de setembro de 2026

O Brasil pode estar prestes a ganhar uma lei federal dedicada exclusivamente à economia circular. O projeto já passou pela Câmara dos Deputados e agora tramita no Senado, e entender o que ele propõe ajuda a antecipar como o setor produtivo pode se organizar nos próximos anos.


O que propõe o projeto


O Projeto de Lei 5.662/2025 institui a Política Nacional de Economia Circular (PNEC), com o objetivo de orientar a transição de um modelo econômico linear, baseado em extrair, produzir e descartar, para um modelo circular, que prioriza reduzir, reutilizar e recuperar materiais ao longo de toda a cadeia produtiva.


Entre os pontos centrais da proposta está a criação do Fórum Nacional de Economia Circular, que vai reunir ministérios, representantes do setor produtivo e da sociedade civil para construir planos de ação em âmbito nacional, estadual e municipal. O texto também estabelece mecanismos de estímulo e parâmetros para fortalecer a responsabilidade na gestão corporativa, incentivando empresas a adotar práticas mais sustentáveis de produção e consumo.


Em que fase está a tramitação


O projeto já foi aprovado pela Câmara dos Deputados e, agora, segue em análise no Senado Federal, passando pelas comissões de Constituição e Justiça, Assuntos Econômicos e Meio Ambiente. Se for aprovado sem alterações de mérito, segue direto para sanção presidencial. Caso o Senado promova mudanças, o texto retorna à Câmara antes de virar lei.


Por que isso importa para quem trabalha com gestão de materiais


Uma política nacional de economia circular tende a organizar, em um único marco legal, incentivos e diretrizes que hoje estão espalhados em normas e programas isolados. Na prática, isso pode significar mais previsibilidade para empresas que já investem em reaproveitamento de materiais, e um empurrão a mais para quem ainda não estruturou esse tipo de processo.


Para o setor de gestão e processamento de materiais industriais, a proposta reforça algo que já é rotina de trabalho: transformar o que sairia do ciclo produtivo em recurso com valor real para a indústria.


Continue acompanhando o Recicla News para saber quando essa tramitação avançar.

Por Túlio Dantas • 29 de outubro de 2026
O mercado de sucata ferrosa teve uma virada de tendência. Segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional da Reciclagem (Inesfa), as exportações brasileiras do material somaram 69.442 toneladas em setembro, uma queda de 30,3% em relação ao mesmo mês de 2025, quando chegaram a 99.700 toneladas. No acumulado de janeiro a setembro, as vendas externas também ficaram abaixo do ano passado pela primeira vez em 2026: 657.655 toneladas, contra 673.006 toneladas, uma retração de 2,28%. O que explica a queda De acordo com o presidente do Inesfa, Clineu Alvarenga, o principal fator é o aumento do frete marítimo, provocado pelo cenário internacional de incertezas e conflitos. A lógica é simples: a sucata ferrosa tem baixo valor agregado por tonelada, então qualquer alta no custo do transporte pode inviabilizar a venda para o exterior. Há também o efeito do mercado interno, que segue em compasso de espera. Segundo o Inesfa, a demanda das usinas siderúrgicas continua baixa, em um cenário de economia mais retraída. Exportar é a exceção, não a regra Um dado ajuda a dar proporção ao assunto: as exportações representam apenas o volume excedente, algo em torno de 5% de tudo o que é comercializado. O restante abastece a própria indústria nacional. Os principais compradores da sucata brasileira no exterior são países da Ásia, como Índia, Bangladesh e Paquistão, e o Inesfa espera uma recuperação das vendas externas em outubro e nos meses seguintes, com o fim do período de monções (as chuvas fortes) na região. O que o mercado está valorizando Em um cenário de margens apertadas, ganha peso quem entrega material pronto para uso. Segundo o Inesfa, cerca de 60% da sucata consumida pelas usinas no mercado interno já é de pronto uso, ou seja, processada, classificada e preparada para entrar direto na produção de aço. É esse tipo de material que torna a produção mais eficiente para quem compra e abre mais portas para quem vende.  Para quem trabalha com sucata, o recado é prático: acompanhar o preço do frete, a demanda das usinas e o calendário dos compradores internacionais ajuda a decidir quando e como vender. Na Recicla, seguimos de olho nesses movimentos porque eles afetam diretamente quem compra e vende material metálico com a gente. Sua empresa tem sentido esse cenário no dia a dia? Continue acompanhando o Recicla News.
Por Túlio Dantas • 22 de outubro de 2026
A economia circular saiu do discurso e entrou na rotina de mais da metade da indústria brasileira. É o que mostra a Sondagem Especial 102 da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada em 1º de outubro, que ouviu mais de 1.600 empresários: 57% das indústrias já adotam pelo menos uma prática de economia circular. A pesquisa também aponta onde está o gargalo, e ele diz muito sobre o mercado em que a Recicla atua. A reciclagem está na frente Entre as práticas mapeadas, a reciclagem é a mais comum, presente em 32% das empresas. Logística reversa, uso de materiais reciclados nos produtos e reparo de itens aparecem na sequência, cada uma com 26%. Já o design circular (14%) e a simbiose industrial (10%), quando uma indústria aproveita o que sobra da outra, ainda são pouco praticadas. Um país que avança em ritmos diferentes A adesão muda bastante conforme o porte e o setor. Entre as grandes indústrias, 66% já têm alguma prática circular. Nas médias, o número cai para 54% e, nas pequenas, para 43%. Entre os setores, equipamentos eletrônicos (86%) e produtos de borracha (85%) lideram, enquanto a construção de edifícios aparece no fim da lista, com 27%. O que está travando a escala Na parte econômica, dois obstáculos dividem o primeiro lugar, citados por 25% das empresas cada: a falta de demanda por produtos e serviços circulares e os juros elevados. Em terceiro vem a falta de isonomia tributária entre material reciclado e material virgem, apontada por 23%. Na prática, o insumo reciclado pode acabar com carga tributária maior ao longo das etapas de reaproveitamento. A falta de demanda pesa ainda mais entre as grandes empresas (29%), e a pesquisa mostra por quê: quando percebem pouca procura, as empresas tendem a reduzir ou adiar investimentos, e isso se espalha pela cadeia de fornecedores e parceiros. O retorno existe, mas nem sempre é fácil de enxergar Entre as empresas que já investem em economia circular, 40% confirmam retorno financeiro e apenas 1% registrou prejuízo. Por outro lado, 46% ainda não conseguem ligar o resultado financeiro à prática adotada. A redução de custos operacionais é o benefício mais esperado, citado por 40% das indústrias. O que isso significa para quem trabalha com materiais metálicos A conclusão da pesquisa ajuda a entender o papel de cada elo da cadeia. Reciclar só fecha o ciclo quando o material processado encontra quem vai usá-lo de novo. É por isso que classificação técnica, qualidade e regularidade de entrega fazem tanta diferença: são elas que dão confiança para a indústria comprar material reciclado em vez de matéria-prima nova. Na Recicla, esse é o trabalho do dia a dia: receber, classificar, processar e devolver ao mercado, nacional e internacional, materiais metálicos prontos para voltar à produção. E você, sente esse movimento na sua empresa? Continue acompanhando o Recicla News.