Recicla tem representante na presidência do Sindrecicla-RN. E o setor tem um recado importante para o mercado

Túlio Dantas • 1 de outubro de 2026

O setor de reciclagem do Rio Grande do Norte ganhou uma liderança nova, e com ela, um retrato bastante claro do tamanho da oportunidade que ainda está em jogo no estado. Fernanda Medeiros, diretora da Recicla, foi empossada em 11 de setembro como primeira mulher a presidir o Sindicato das Indústrias de Reciclagem e Descartáveis do Rio Grande do Norte (Sindrecicla-RN), entidade filiada à Fiern que existe há 12 anos.


Um estado que recicla menos da metade do que poderia


Em entrevista à Tribuna do Norte, Fernanda trouxe um dado que resume bem o desafio do setor: o Rio Grande do Norte tem capacidade técnica para reciclar 52% dos resíduos que gera, mas hoje recicla, em média, apenas 25%. Na prática, isso significa indústrias de reciclagem operando com capacidade ociosa, porque grande parte do material que poderia chegar até elas segue direto para aterros.


O impacto financeiro desse gargalo é concreto: segundo levantamento citado na entrevista, o RN deixa de gerar cerca de R$ 700 milhões por ano ao descartar em aterros e lixões materiais que poderiam voltar à cadeia produtiva através da reciclagem.


Um setor que já movimenta a economia do estado


Apesar do gargalo, o setor já tem peso real na economia potiguar: são 143 indústrias com CNAE de reciclagem no estado, responsáveis por cerca de 24 mil empregos diretos e indiretos. A nova presidente do Sindrecicla-RN também destacou o papel do Proedi (Programa de Estímulo ao Desenvolvimento Industrial), incentivo fiscal conquistado há seis anos, como um fator importante para atrair investimentos para o setor.


Onde está o gargalo, segundo quem vive o setor


Entre os principais entraves apontados está a falta de coleta seletiva estruturada nos municípios. Segundo Fernanda, são as próprias indústrias de reciclagem, e não o poder público municipal, que hoje colocam em prática o que a Política Nacional de Resíduos Sólidos exige. A aposta da nova gestão do sindicato está em fortalecer a educação ambiental, especialmente entre crianças, e em ampliar parcerias com cooperativas e associações de catadores para melhorar a captação de material reciclável.


O que isso significa para quem trabalha com gestão de materiais


Esse cenário reforça, com dados concretos, algo que empresas do setor já sabem na prática: existe uma quantidade significativa de material reaproveitável que ainda não chega até quem tem estrutura para processá-lo corretamente. Fechar esse gargalo depende de articulação entre indústria, poder público e sociedade, e é exatamente esse tipo de movimento que fortalece o setor como um todo no Rio Grande do Norte.


Na Recicla, seguimos de perto essas discussões, inclusive de dentro delas, porque o crescimento do setor no estado passa por todos nós. Continue acompanhando o Recicla News para saber das próximas novidades.

Por Túlio Dantas • 24 de setembro de 2026
A economia circular está ganhando cada vez mais espaço na agenda legislativa brasileira. O Senado aprovou um projeto que cria a Semana Nacional de Economia Circular, uma data que, se confirmada em lei, vai reunir anualmente ações educativas e institucionais em torno do tema em todo o país. O que prevê o projeto O Projeto de Lei 1.681/2026 institui a Semana Nacional de Economia Circular, a ser celebrada todos os anos na semana que compreende o dia 27 de junho, data que homenageia a publicação do decreto que criou a Estratégia Nacional de Economia Circular, em 2024. Durante o período, a proposta prevê a realização de palestras, seminários, exposições, mutirões, feiras e oficinas voltadas ao reparo e à reutilização de produtos, além de ações de regeneração ambiental e de incentivo ao design circular. A ideia central é divulgar políticas públicas, projetos e boas práticas relacionadas ao tema entre cidadãos, empresas e órgãos públicos. Em que fase está a proposta O projeto já foi aprovado pela Comissão de Meio Ambiente do Senado e, na sequência, também passou pelo Plenário. Agora, o texto segue para análise da Câmara dos Deputados antes de poder virar lei. Por que uma data assim importa Pode parecer, à primeira vista, apenas uma data comemorativa. Mas datas oficiais como essa costumam funcionar como estrutura organizativa: elas dão um ponto de encontro para políticas públicas, ações do setor privado e iniciativas educativas que hoje acontecem de forma dispersa ao longo do ano. Para empresas que já trabalham com reaproveitamento de materiais, uma semana nacional dedicada ao tema representa mais visibilidade para práticas que já fazem parte da rotina, e uma oportunidade de aproximar ainda mais o público da lógica por trás da economia circular. O que isso representa para o setor Iniciativas como essa reforçam um movimento mais amplo: a economia circular deixando de ser pauta lateral para ocupar espaço estruturado nas políticas públicas brasileiras. Para empresas que processam materiais e os devolvem à cadeia produtiva, isso significa operar dentro de uma agenda que só tende a crescer em relevância e visibilidade. Na Recicla, seguimos de perto essas movimentações, porque elas dizem respeito diretamente ao que fazemos todos os dias. Continue acompanhando o Recicla News para saber quando esse projeto avançar.
Por Túlio Dantas • 17 de setembro de 2026
Quem compra e vende materiais metálicos sabe que o preço da sucata não é um número fixo, ele responde a movimentos de mercado, oferta e demanda global. E o começo de setembro trouxe um dado relevante para quem acompanha esse cenário de perto: a sucata de alumínio está sendo negociada no maior patamar em mais de um ano. O que os números mostram No início de setembro, o preço internacional da sucata de alumínio chegou a US$ 2.559,57 por tonelada, uma alta de quase 6% apenas no último mês e de quase 21% em relação ao mesmo período do ano passado. É um movimento consistente, não um pico isolado, o que costuma sinalizar uma mudança real na relação entre oferta e demanda do material. Por que a demanda por sucata está subindo Esse aquecimento de preço acompanha um movimento mais amplo do setor: siderúrgicas e produtoras de alumínio vêm ampliando o uso de material reciclado como parte de suas estratégias de redução de emissões e eficiência de custo. Um exemplo recente é a parceria entre uma grande recicladora de veículos e uma das maiores siderúrgicas do país, que já garantiu a compra de praticamente toda a sucata metálica gerada pela operação, com volume que deve chegar a milhares de toneladas por mês. Esse tipo de movimento reforça que a sucata deixou de ser tratada como material secundário e passou a ocupar um papel estratégico dentro do planejamento de compra das indústrias. O que isso representa para quem compra e vende material Para quem fornece sucata, o cenário é favorável: mais demanda tende a sustentar preços mais altos. Já para quem compra o material para processar e revender, o momento pede atenção redobrada na formação de preço e na negociação com fornecedores, já que o custo de aquisição também sobe. Em qualquer um dos dois lados, contar com um parceiro que acompanha o mercado de perto, entende a variação de preços internacionais e tem estrutura para negociar com segurança faz diferença real no resultado financeiro da operação. Na Recicla, seguimos de olho nesses movimentos para orientar da melhor forma cada negociação com nossos parceiros, fornecedores e compradores. Continue acompanhando o Recicla News para saber quando o mercado se mexer de novo.