Ciclones extratropicais: por que fenômenos tão intensos estão se tornando mais comuns no Brasil?

12 de dezembro de 2025

Nos últimos meses, o Brasil tem enfrentado uma sucessão de ciclones extratropicais marcados por ventos intensos, chuvas volumosas e impactos significativos em diversas regiões. Embora esses sistemas meteorológicos sejam comuns no hemisfério Sul, especialistas afirmam que a intensidade atual já não pode ser considerada “normal”. 


O ciclone que atingiu recentemente o Sul do país foi classificado como de altíssimo risco, com rajadas que podem chegar a 120 km/h. Em Santa Catarina, municípios registraram volumes excepcionais de chuva em apenas 24 horas. A consequência imediata foram alagamentos, destruição e, infelizmente, mortes. 


O que está intensificando esses eventos?


Pesquisas apontam uma relação direta entre o aquecimento global e a amplificação de fenômenos como esse. Para especialistas, a atmosfera mais quente fornece energia adicional às tempestades, favorecendo episódios mais severos. Outro fator decisivo é a redução inédita do gelo marinho na Antártica, resultado direto das mudanças climáticas. 


Essa alteração coloca a Oscilação Antártica em fase negativa, deslocando o cinturão de ciclones extratropicais e empurrando eventos mais intensos para o Sul do Brasil. Como explica o climatologista Francisco Aquino, esse cenário cria as condições perfeitas para tempestades extremas, comuns no inverno, ocorrerem também em outras estações.


Ciclones-bomba: um risco crescente


Os meteorologistas também observam a maior frequência de “ciclones-bomba”, caracterizados pela queda rápida da pressão atmosférica e ventos violentos. Embora ainda seja cedo para classificar o último evento como tal, a estrutura e a intensidade do sistema se aproximam desse padrão, reforçando um alerta sobre o que está por vir.


Estudos climáticos já projetam um aumento desses sistemas nas próximas décadas se as emissões globais continuarem elevadas.


Impactos sociais e a necessidade de adaptação


Eventos como esse mostram que não se trata apenas de um problema ambiental, mas também de uma questão de segurança pública, planejamento urbano e resiliência comunitária. 


Especialistas defendem investimentos urgentes em:


  • Alertas antecipados
  • Infraestrutura de proteção
  • Comunicação eficiente sobre riscos
  • Políticas de mitigação e adaptação climática


Essa estrutura é essencial para reduzir danos humanos e econômicos em cenários de tempestades cada vez mais intensas.


O papel da economia circular nesse cenário


A transição para cidades mais resilientes inclui uma revisão profunda da forma como produzimos, consumimos e descartamos. O acúmulo de emissões, que impulsiona eventos como ciclones intensificados, está diretamente ligado ao uso de materiais virgens e à falta de eficiência nas cadeias produtivas. 


Ao fortalecer práticas como reciclagem, reaproveitamento e gestão responsável, reduzimos emissões, poupamos recursos naturais e construímos estruturas mais preparadas para o futuro.


A economia circular não é apenas uma pauta ambiental: é uma estratégia concreta de mitigação climática

 

Caminhos possíveis para o amanhã


A crescente força dos ciclones extratropicais no Brasil é um sinal claro de que o mundo já vive os efeitos das mudanças climáticas. Enfrentar essa realidade exige ação conjunta: políticas públicas fortes, ciência, inovação e responsabilidade ambiental.


Na Recicla, seguimos comprometidos com soluções que reduzem impactos, fortalecem comunidades e contribuem para um futuro mais seguro e equilibrado. A adaptação climática começa agora, e passa pelas escolhas que fazemos todos os dias.


Por Túlio Dantas • 7 de outubro de 2026
Uma reportagem publicada pela Jovem Pan Business trouxe um dado que resume bem a mudança de mentalidade do setor: segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), 57% das indústrias brasileiras já usam práticas de reciclagem e economia circular para gerar lucro, e 40% delas já tiveram retorno financeiro direto com isso. A sucata deixou de ser sobra de produção para entrar de vez no planejamento financeiro das empresas. O erro que mais custa caro Segundo especialistas ouvidos na reportagem, o que mais destrói valor no setor não é variação de câmbio ou de demanda: é a falta de conhecimento técnico sobre a composição dos materiais. Uma classificação errada pode custar caro de verdade. Um lote de 30 toneladas de aço inoxidável contaminado por impurezas acima do limite técnico permitido pode gerar um prejuízo superior a R$ 100 mil para quem compra o material. O exemplo mais simples ilustra bem o problema: um fogão vendido inteiro como material misto vale muito menos do que a soma de suas peças separadas, alumínio, ferro e lã de vidro, cada uma com comprador e preço próprios. Quanto mais precisa a separação, maior o valor final do lote. Onde está o maior ganho ainda não explorado A separação básica por tipo de material (metal, papel, orgânico) já é comum na maioria das operações. O que ainda é praticado por poucas plantas, e onde está o maior ganho financeiro, é a segregação por liga metálica específica. Algumas empresas já entenderam esse valor a ponto de repassar parte da receita da venda de sucata às equipes que fazem a triagem, como forma de incentivar a precisão nesse processo. Por que isso reforça o papel de quem já opera com essa técnica Esse cenário reforça algo que faz parte da rotina operacional da Recicla: cada material que chega até nós passa por triagem, classificação e processamento técnico antes de seguir para o mercado. É exatamente esse cuidado na classificação que transforma sucata em ativo de alto valor, em vez de material genérico vendido por um preço menor do que poderia valer. Para empresas que ainda tratam a sucata como resíduo secundário, o recado do setor é claro: conhecimento técnico sobre os materiais vale tanto quanto volume. Continue acompanhando o Recicla News para saber das próximas novidades do setor.
Por Túlio Dantas • 1 de outubro de 2026
O setor de reciclagem do Rio Grande do Norte ganhou uma liderança nova, e com ela, um retrato bastante claro do tamanho da oportunidade que ainda está em jogo no estado. Fernanda Medeiros, diretora da Recicla, foi empossada em 11 de setembro como primeira mulher a presidir o Sindicato das Indústrias de Reciclagem e Descartáveis do Rio Grande do Norte (Sindrecicla-RN), entidade filiada à Fiern que existe há 12 anos. Um estado que recicla menos da metade do que poderia Em entrevista à Tribuna do Norte, Fernanda trouxe um dado que resume bem o desafio do setor: o Rio Grande do Norte tem capacidade técnica para reciclar 52% dos resíduos que gera, mas hoje recicla, em média, apenas 25%. Na prática, isso significa indústrias de reciclagem operando com capacidade ociosa, porque grande parte do material que poderia chegar até elas segue direto para aterros. O impacto financeiro desse gargalo é concreto: segundo levantamento citado na entrevista, o RN deixa de gerar cerca de R$ 700 milhões por ano ao descartar em aterros e lixões materiais que poderiam voltar à cadeia produtiva através da reciclagem. Um setor que já movimenta a economia do estado Apesar do gargalo, o setor já tem peso real na economia potiguar: são 143 indústrias com CNAE de reciclagem no estado, responsáveis por cerca de 24 mil empregos diretos e indiretos. A nova presidente do Sindrecicla-RN também destacou o papel do Proedi (Programa de Estímulo ao Desenvolvimento Industrial), incentivo fiscal conquistado há seis anos, como um fator importante para atrair investimentos para o setor. Onde está o gargalo, segundo quem vive o setor Entre os principais entraves apontados está a falta de coleta seletiva estruturada nos municípios. Segundo Fernanda, são as próprias indústrias de reciclagem, e não o poder público municipal, que hoje colocam em prática o que a Política Nacional de Resíduos Sólidos exige. A aposta da nova gestão do sindicato está em fortalecer a educação ambiental, especialmente entre crianças, e em ampliar parcerias com cooperativas e associações de catadores para melhorar a captação de material reciclável. O que isso significa para quem trabalha com gestão de materiais Esse cenário reforça, com dados concretos, algo que empresas do setor já sabem na prática: existe uma quantidade significativa de material reaproveitável que ainda não chega até quem tem estrutura para processá-lo corretamente. Fechar esse gargalo depende de articulação entre indústria, poder público e sociedade, e é exatamente esse tipo de movimento que fortalece o setor como um todo no Rio Grande do Norte. Na Recicla, seguimos de perto essas discussões, inclusive de dentro delas, porque o crescimento do setor no estado passa por todos nós. Continue acompanhando o Recicla News para saber das próximas novidades.